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“Somos perfeitos, nunca erramos e por isso você nos ama”.
Por muito tempo nunca falhar (ou nunca admitir uma falha) foi a estratégia das empresas. A “errofobia” dominou o mundo corporativo por décadas. A regra era simples: nunca falhe, e se falhar, esconda, negue, abafe, desminta. Mas assim como os mecanismos para acobertar as falhas estão se sofisticando, a percepção dos consumidores também está mais elaborada. Muitos deles estão nutrindo uma simpatia especial por marcas que sabem admitir seus erros com honestidade, empatia, generosidade, humor e humanidade. Os consumidores estão adorando ver suas marcas prediletas quebrarem a cara em público – e não perderem o rebolado. trendwatching.com chamou essa tendência de Flawsome. Em inglês, FLAWSOME combina os termos “flaw” e “awesome” – em português, “defeito” e “fantástico”.

Ser Flawsome exige saber rir de si mesmo.
Philippe Gaulier é um velho palhaço francês – dono de uma das mais respeitadas escolas de teatro do mundo. Gaulier ensina gestores e CEO’s – além de atores como Emma Thompson, Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen – que, para além de interpretar um personagem, eles devem interpretar a si mesmos. Gaulier usa técnicas teatrais para mostrar aos executivos como abraçar a sua própria humanidade. Para Gaulier, o pior pecado do mundo é “ser chato”. Segundo ele, um líder chato nunca vai passar de um mero gerente. Ser FLAWSOME é um selo de garantia contra a chatice. Ser FLAWSOME é reaprender a ser humano.
Não quero dizer nada às pessoas e empresas que sempre defenderam performances e atitudes PROFISSIONAIS, “limpas” de qualquer traço humano ou emocional. A tendência aponta o outro lado. É cada vez maior a necessidade de desenvolver uma inteligência voltada para a criatividade e baseada em atributos altamente humanos. Esse é o objeto de trabalho da consultoria Ideas From Hell. A empresa usa a metodologia Playstorming, uma tempestade de jogos que mistura técnicas teatrais e de criatividade para que gestores, designers e profissionais em geral se livrem do maior pecado do mundo dos negócios hoje em dia: o pecado de ser chato, inflexível e refratário às atitudes verdadeiramente inovadoras. Segundo Giovana de Figueiredo, da Ideas from Hell, “nas empresas, as pessoas querem ir ao seu objetivo numa linha absolutamente reta, sem se permitirem improvisos, desvios e inventividade. O que fazemos é trazê-las para o humano, para a coragem e para os riscos que são necessários para a criação. Playstorming é lidar com o erro, com a vulnerabilidade, com os sobressaltos e com o imenso prazer de descobrir sua potência criativa”.
No TEDxHouston em 2010, Brené Brown impressionou a todos, por sua transparência e vulnerabilidade. Conta que no dia seguinte acordou deprimida por ter falado de sua crise pessoal para 500 pessoas. Bem, o vídeo de sua conferência no TED chegou a 3,2 milhões de acessos. Ela que estava focada em refletir sobre vulnerabilidade e vergonha, concluiu: “vulnerabilidade é o lugar onde nascem inovação, criatividade e mudanças”. Para ela, vulnerabilidade não é fraqueza. “Esse é um mito muito difundido e perigoso, precisamos aceitar e abraçar o conceito de falha. Não que a falha seja boa, mas porque é parte natural do progresso. Se você está falhando, no mínimo isso quer dizer que está fazendo algo, ao invés de apenas assistir a tudo do lado de fora.”