O acesso como negócio
No último novembro, a comunidade da Rocinha também inaugurou uma das lojas mais inovadoras da região. Chama-se “Because” – “Paris, Nova Iorque, Milão e Rocinha”. “Because” foi criada por uma modelo e ex-promoter carioca para vender roupas de grife com algum micro-defeito na sua fabricação. Marcas como Sandpiper (um dos principais fornecedores da “Because”) e outras grifes “de shopping” vendem lá peças que custam entre R$ 30 e R$ 60. À diferença de outras lojas da comunidade, os consumidores não escutam funk na “Because”, diz a matéria da Folha. E, a cada duas horas um spray aromático é borifado no ambiente. A loja chama atenção por esses detalhes e pela seleção de peças que trazem modelagens e estilos que os consumidores da Rocinha veem nas novelas e na mídia. A maioria das lojas da Rocinha vende roupas feitas em pequenas confecções e em feiras livres. A seleção da “Because” + a ambientação do espaço = fazem a diferença.
Muitos novos produtos e serviços serão criados para os novos consumidores da classe média de acordo com suas características peculiares. No entanto, produtos semelhantes aos dos grupos econômicos mais altos, porém com preço acessível não trazem riscos de encalhar. Por anos, consumidores da classes médias emergentes foram consumidores apenas de imagens, devoradores de novelas e da revista “Caras”. Hoje, mais e mais empreendedores estão saindo dos centros tradicionais para vender acesso de consumo a esses consumidores.
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